O Homem que queria ser condescendente
Nota prévia - Antes de iniciar a nossa história, um pedido de desculpa. O título está errado. Não é "o homem que queria ser condescendente", mas antes, "o homem que queria saber usar a expressão condescendente". Confusão da minha dactilógrafa, que, tadinha, é uma dessas Marias do campo a quem deve ser dado um desconto de vez em quando. Não é má pessoa ela, só nem sempre tão eficaz.
Bem, comecemos, então, o nosso pequeno breve conto. Era uma vez, há uma quantidade relativa de tempo, um individuo, chamemos-lhe António, que sempre tivera um sonho - gostava de saber usar essa peculiar expressão na nossa lingua, que, para quem estiver a seguir isto desde o prefácio, sabe que é "condescendente". Não é que não lhe soubesse o significado, já o tinha visto no dicionário e achara compreende-lo bem. Até quando o lia nalgum livro ou prosa pseudo-cómica virtual, era capaz de assimilar. O seu grande problema era utilizar por iniciativa própria a dita cuja. É que António era um desses falsos-optimistas, esse tipo de gente que quer sempre achar que vai dar tudo certo e que o melhor vai acontecer, mas que no fundo se prepara e espera sempre o pior. Era o caso quando queria usar a expressão entre conhecidos seus que, imaginava, "tinham um certo ar de quem é capaz de saber o que quer dizer condescendente e que provavelmente apontariam um dedo gozão se eu a mal utilizasse". Tinha medo de dizer asneira, portanto, embora muitas vezes se sentisse preparado para integrar o seu conhecimento em conversação. Os anos passaram e António atravessou todas as décadas e acordou para cada pequeno almoço sem que, no dia anterior, tivesse dito a coragem de dar o salto. Metáfora rebuscada para dizer que nosso heróis acabou por falecer sem nunca cumprir o seu grande sonho. História triste mas que pode servir de inspiração a muita gente que sempre desejou inserir esta e outras expressões sonantes e algo pomposas no seu léxico diário.
Nota posterior - Um pequeno prémio, simbólico, a quem detectar a magna ironia da nota prévia.
Nota posterior dois - Outro prémio, ligeiramente maior em simbolismo, a quem detectar a mesma coisa na nota posterior.

2 Comments:
"É que António era um desses falsos-optimistas, esse tipo de gente que quer sempre achar que vai dar tudo certo e que o melhor vai acontecer, mas que no fundo se prepara e espera sempre o pior."
É... conheço uma Antónia, que por acaso também sofre do mesmo mal...
Não me parece que tenha direito a qualquer um dos prémios.
beijo (com esperança de não incomodar muito, mas ainda assim um passo atrás)
Intrigante..."onde foi ele buscar esta ideia?!"..."Como é que se faz um texto tão interessante com base na palavra desinteressante que é «condescendente»?!"
Escreve mais Pedro, é um pedido =)
Grande abraço
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