Wagner Revisited
Outro dia, lá pelas tantas da madrugada aconteceu algo que me acontece frequentemente - e não outra, que preferia, mas digamos que não acontece tão frequentemente - tive uma ideia, uma grande ideia, fantastica, arrebatadora. Não apontei, como por vezes o faço, num caderninho que deixo, para estas ocasiões, junto da cama. Resultado - não sei qual era a ideia - só, curiosamente, que era mesmo muito boa. Como não me lembro da minha ideia muito boa, vou escrever sem ideia nenhuma, o que é muito pior para vocês, leitores.
Uns dias depois de ter escrito aquelas linhas, eis que volto, na bonita hora de 4:44 da manhã (ok, tecnicamente, 4:43, mas pareceu-me, por algum motivo, mais poético dizer que seria 4:44 e no tempo em que tive a encher chouriços com esta conversa parva são, agora sim, aliás, quase.... ah ok, 4:44 finalmente. Se continuo a engonhar (gira, não? - a palavra) com isto serão 4:45 e toda a magia do tempo terá sido perdida. Oh merda, e são mesmo quinze prás cinco. Enfim, adiante.
Falava eu na hora e já agora acrescento que acabo de retornar das alegres festividades dos Santos Populares, o que certamente influenciará o que quer que seja escrito nas próximas linhas.
Mas não é sobre esta paródia de rua que me vou debruçar. (4:46, mas eu paro de vos informar isto). É, sim, sobre como seria "A Cavalgada das Valquírias" se eu a escrevesse hoje. Aliás, e para ser preciso, como será "A Cavalgada das Valquirias" quando eu a escrever hoje. Não quero reinventar a imortal obra de Wagner, que todos conhecemos a música - tan tan tan tan tan, tantanatn tan tan, TAN TANTAN! -é mais ou menos assim - mas sim dar uma nova interpretação da coisa.
A cena passa-se na padaria. Duas valquirias - Freya e Mariana - entram para tomar o pequeno almoço. São as valquirias típicas - grandes, meio gordas, armadura e capate, ar de quem quer a vossa sandes e rápido e botas a condizer. Sentam-se numa mesa e quando lhes é perguntado se a tosta é com ou sem manteiga, Freya canta em dó maior "Coooomm, por favooooor, que ainda falta bastante pró verão e tenho tempo de ir ao ginásio". O empregado faz um sorriso púrpura e volta para o balcão, cometendo o infeliz erro de não perguntar se o café era com leite, o que lhe valeu a pronta decapitação por parte de Mariana, que para azar geral estava constipada e com o período ao mesmo tempo, e com a armadura sentia-se muito desconfortável. Além do mais, Odin, chefe dos Deuses, sempre lhe ensinou que se decapitava quem fosse estúpido e este era claramente o caso, apesar do diploma em física quântica que o empregado, Marcelo de seu nome, exibia orgulhasamente na casa-de-banho do estabelecimento. Melhor sorte teve a senhora que perdeu apenas três dedos (e já só tinha 7, devido a um arrufo com o Presidente da Republica) quando trouxe um pastel de nata em vez de um queque. Saídas da pastelaria - e sendo chuladas no troco, que felizmente para todos, não notaram - as vivazes valquírias foram dar um passeio, fazendo agora mais uma vítima, não por vingança, mas por desporto, um cobrador de parquimetros que se preparava para saltar à corda. Sem grandes ideias, o duo dinâmico foi à bola, ver o jogo entre Sandinenses e Campachinhos, que acabaria empatado a zero e com oito pessoas a menos a sairem do estádio, vitimas da ira (e duma escorregadela azarada) das nossas bravas personagens. Satisfeitas com a matança e porque o programa do Gouxa ia passar na Tv Cabo, as doces deusas nórdicas voltaram ao seu agradável covil, que permanecerá secreto, para um serão agradável de trivial.
Imaginem agora toda a história com a música e verão que não é tão estúpido como podia parecer.
São 5:08.

2 Comments:
loooooool it's beautifull
genial genial abolutamente genial![nota: para ser lido com o tan tan tan tan tan, tantanatn tan tan, TAN TANTAN como música de fundo]
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