O Misterio da Maionese
Sou um tipo jovem. Sinceramente gosto bastante da minha geração, somos um grupo porreiro. Acho, no entanto que falta uma coisa vital - uma versão actualizada do clássico "Killing me softly". Podia ser o Eminem a cantar, ou a Britney, ou um dueto entre os dois, não pensei muito nisso, mas acho indispensável.
"Ding Dong" - era a campainha - quem será a estas horas?, perguntou Josemi. Josemi fazia sempre esta pergunta quando tocavam à porta ou quando começava o telejornal. Chocantemente, era uma embalagem que tinha sido deixada na entrada, sem bilhete. Tinha apenas um papel que dizia "Para Josemi, do seu amigo Mario", mas não poderiamos considerar isso um bilhete. Josemi estranhou porque não havia ninguém na rua, excepto o carteiro. Quem teria trazido este misterioso pacote? Levantou-o e olhou-o com uma certa desconfiança. Cheirou-o - tinha um odor familiar, era do seu desodorizante. Voltando para dentro de casa, colocou-o em cima da mesa. Abriu-o e subitamente fartou-se de usar sempre o mesmo pronome "o". Dentro estava um frasco de maionese, o que era bizarro, porque Josemi tinha um ódio mortal a maionese. Acompanhava um pequeno bilhete - "Desculpa Josemi, mês passado, aquando da nossa janta conjunta no teu lar, afiambrei-me a esse frasco que estava no teu frígorifico. Não consegui resistir à tentação de o roubar - era isso ou um relógio de ouro que tinhas ai espalhado, optei pela maionese. Venho por este meio restitui-la, com esperança que não me odeies e encontres no teu coração lugar para me perdoar." Josemi achou estranho, sobretudo por nunca na vida ter comprado um frasco de maionese. (Ah, a trama complica-se, pensa o leitor). Pegou no telefone e pediu uma pizza. Depois, voltou a pegar no telefone e ligou a Mário - "Ouve lá, qual é a tua de enviares maionese pelo correio? Fazes ideia do cheiro pestilento que deves ter passado a centenas de cartas de individuos perfeitamente normais e até de alguns bandidos conhecidos? E ponto dois, mas alguma vez roubaste maionese de mim?! Nunca tive maionese em casa!!" A isto, Mário respondeu simplesmente "Mas se pensares bem, o que é a existência humana senão um frasco de maionese que lentamente é vertido no espaço, esvaziando-se aos poucos até ao fim? Para mim, não há condimento mais perfeito para uma metáfora de vida do que a maionese. No entanto, não te mandei puto e não uso os correios desde que enviei um sutiã à minha avó, faz este mês 17 anos"
Josemi estava perturbado com a situação. Voltou a olhar a caixa e viu que a morada estava errada - era para o seu vizinho. Mas... não faz sentido - o bilhete estava claramente dirigido a ele, Josemi. Entao lembrou-se- o vizinho também se chamava Josemi!!!! Eureka. Foi, triunfante, devolver a embalagem a quem pertencia mas voltou com a embalagem e um olho roxo, do soco que levou. "Como se atreve a devovler maionese, seu pulha! Ainda por cima, com o prazo de validade expirado!" Ainda mais confuso e sem saber como resolver a história e sem ideias para um final inteligente e memorável, Josemi deitou a maionese fora e foi ao circo.

2 Comments:
que raio de nome é Josemi??? lol ta mt fixe, o misterio da maionese! tb nao gosto de maionese ;)***
gostei, muito woody allen
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