A Fábula
Era uma vez, há muito tempo atrás e alguns minutos, uma lebre e um coelho co-habitavam um buraco. O principal problema desta improvável dupla de roommates é que muitas vezes se confundiam e não sabiam qual deles era a lebre e qual o coelho, só sendo o problema solucionado quando telefonavam às respectivas mães. Aparte disto, viviam em relativa calmia e prosperidade financeira, sobretudo porque Alberto (a lebre) era um corrector de seguros de renome que vendia pilhas alcalinas nos tempos livres. A complicação começa quando César, o coelho, desenvolveu um problema de jogo e começou a pilhar a fortuna do amigo Alberto, que só desconfiou quando o frigorifico desapareceu e todo o queijo fresco estava amontoado na casa de banho. Confrontado com a ausência do aparelho, César disse que o tinha levado a passear no bairro e que ele simplesmente tinha-se libertado da trela e fugido, causando grande reboliço e uma ligeira baixa de temperatura na zona. Claro que Alberto percebeu a aldrabice que lhe estavam a pregar mas em nome da boa amizade, deixou passar. Umas semanas depois, a lebre não encontrava as boxers e, ao imaginar que estavam já no mercado negro e provavelmente a ser, neste preciso momento, utilizadas por algum barão do tráfico de salsichas, explodiu de raiva e sovou violentamente César, que apenas conseguia balbuciar "ainda vou aprender a falar hebraico". Só quando recebeu um telefonema da lavandaria a avisar que podia ir levantar as boxers, e também o último volume da Enciclopédia Luso-Brasileira da Cultura, é que a lebre se apercebeu do erro terrível que tinha cometido - boxers nunca devem ser enviadas para a lavandaria. Cheio de remorsos, em parte pela sova injusta que tinha aplicado ao eterno amigo, Alberto partiu apenas com uma trouxa e uma televisão plasma, para ver o futebol e a pornografia, com o objectivo de se tornar um eremita. Após meses de reclusão total e sem contacto com nenhum outro ser vivo, fora, naturalmente, o operador da TV Cabo, Alberto começou a enlouquecer. Pouco tempo depois, faleceu.
Moral da História - várias, se leram a história, de certeza que as perceberam, se são dos pacóvios que vão direito à moral da história, aqui está ela - "Por vezes, sovamos gente que não merece, ou que merece mas não na altura que os sovamos"

2 Comments:
gd texto lol
está mesmo muito giro
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